A jornada do auto-conhecimento para muitos se tornou uma busca obsessiva por conhecer cada detalhe de si.
E se tornou também um grande mercado, quantas propagandas de cursos, imersões e retiros nesse sentido já passaram pelo seu feed?
O autoconhecimento virou uma mercadoria, quanto mais você se conhece maior o seu valor no mercado. As promessas são que você irá se tornar uma pessoa mais interessante, uma namorada mais desejável, um profissional mais capacitado. (Ou só um grande chato mesmo!)
A expectativa é que quando você se conhecer o suficiente enfim encontrará paz em ser quem é.
Fim da angústia.
Mas a angústia de estar vivo a gente não consegue jogar fora, a gente recicla e transforma em outra coisa. Uns pintam, uns escrevem, uns compõe, uns comem, uns bebem, uns correm, uns escutam as angústias dos outros, enfim, cada pessoa tem um jeitinho particular de lidar com quem é.
Mas as vezes é realmente confuso e atrapalhado ser a gente mesmo. Quando estiver sofrido demais procure profissionais capacitados para te escutar. Desconfie de qualquer um que propõe um caminho milagroso, rápido, quântico, ou que faça você pensar que as respostas para o seu sofrimento atual estão no comportamento de familiares que já morreram e você sequer conheceu.
Ao que tudo indica quando a gente pifa é porque tá se conhecendo demais, não de menos, e tá preso numa espécia de curto circuito super-mega-ultra-conhecido.
Geralmente não é autoconhecimento que nos falta, é auto desconhecimento mesmo.
E aquela paz que prometem só existe para quem é muito alienado (alô good vibes e positividade tóxica) ou está no caixão.
Não descasem em paz.
Viva a angústia de estar vivo 🖤
*Texto publicado no Instagram pessoal 30/06/2021
Imagens com os trechos dos livros:
1-Reinvenção da intimidade: políticas do sofrimento cotidiano (2017), Dunker, Christian Ingo Lenz.
2- Niketche: Uma História de Poligamia (2004) Chiziane, Paulina



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